bravo,
meu coração é de anjo,
minhas mãos são de ferro,
meu toque é de flor,
minha palavra é absinto,
quando não sinto o doce
do teu licor.
Poesias do Poeta Antonio luis de jesus.
O dançar das mãos, dos pés.
O dançar do corpo solto
dançando anunciando liberdade,
vencendo a idade que o tempo
estabelece.
Dança do ventre, dança do cio,
dança do rio dançando com o mar,
dançar, avançar no salão,
preencher os vãos da ilusão,
dançar em ritmo de procissão,
dançar sempre,
não dançar, não...
Criação de peixes,
criação de bois,
criação de rãs,
criação de camarão,
o homem pensa que cria
o que não sabe quem criou
criação artística,
criação maléfica,
criação catastrófica,
criação do bem,
criação do mal,
o homem pensa que cria
sem saber mesmo quem
lhe criou.
Cresço nos mares do teu gozo,
alimento-me dos teus afagos
de ventania
sobre teu corpo deságuo, chuva
e ave retorno pousando
em teu prazer.
Nascer, crescer, vencer,
ter, ser, viver, correr.
Desfazer tudo, seguir mudo
e alheio. Receio ser assim,
não gosto do meio, prefiro o seio
que me faz crescer,
prefiro ser alheio e crescer mais
dentro de mim...
Crescer, ilusão do que é grande,
mas não se espante nunca.
Preciso nunca parar de renascer
e crescer, crescer, crescer...
Em bruscas busca busquei o mundo
e achei nada.
Em bruscas buscas busquei-me todo
e achei-me nada.
Em bruscas busca busquei tudo sem
conhecer nada.
Em buscas bruscas atravessei rios,
riachos, mares sem tornar-me
líquido.
Em buscas bruscas não acharei
nada sendo duro, assim como
tenho sido.
O poeta enche o mundo
de brilho,
caminha sobre nuvens,
adormece sobre estrelas.
Em terra firme semeia e cuida
dos versos para que o mundo
colha bons frutos.
ridicularizam teu pudor,
achovalha
Rasgam teu ventre,
dilacerem tua face, estrupam-te
com todas as taras e todos
assistem acovardados e
impotentes.
Montando em altas montanhas
corro os meus olhos pelas planícies,
arrudio astros,
roço meu corpo no corpo do vento
fujo dos limites
e descubro o quanto sou vasto.
Não adianta procurar o amor
nos labirintos que se construiu,
quando secamos os nossos mares
desviando nossos próprios rios,
depois de tudo vem a lucidez,
e a solidão quer lavar a velha culpa,
mas o varal está repleto de
ressentimento, o sol não brilha
nunca mais como brilhou noutro
momento.
Se já soltamos todas as amarras
e destruímos o antigo cais,
ir esperar o amor antigo
é fazer o destino olhar
para trás.
Um triste, outro contente,
um sadio, outro doente,
um pé atrás, outro na frente,
um ateu, outro crente,
um sem cio, outro ardente,
um escorregadio, outro aderente,
um pé atrás, outro na frente,um canhão, outro espada,
um com tudo, outro sem nada,um portão, outro escada,
um pé atrás, outro na frente.